BOLETIM DO FIM DO MUNDO - COM GUILHERME BOULOS

Transmissão realizada no dia 15 de novembro, uma conversa com Guilherme Boulos. O ex-candidato à presidência e coordenador nacional do MTST fez um saldo das eleições, das razões que, segundo ele, elegeram Bolsonaro; as principais fronteiras democráticas no Brasil de Bolsonaro; o desafio da Frente Ampla; sua perspectiva sobre a criminalização de movimentos sociais e seu futuro na política.

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A íntegra da conversa com Guilherme Boulos também está disponível para streaming a download em nosso Soundcloud.

Boletim do Fim do Mundo - Ciberfeudalismo, a privatização da conversa pública e a renascença psicodélica

Os últimos dois episódios do Boletim do Fim do Mundo foram bloqueados no Youtube por alguma razão ainda não esclarecida. O episódio é só um detalhe, mas dá a chance de conversarmos sobre a transformação do ciberespaço em um sistema feudalista. Plataformas e empresas privadas que controlam a arquitetura, as possibilidades, os direitos e a autonomia de seus "clientes". Enquanto nós, os perfis, transferimos grande parte da nossa vida pública para esse território intangível.

Esse foi o ponto de partida da transmissão do dia 13 de novembro.

Discutimos as origens libertárias da internet, a restrição das possibilidades digitais como estratégia comercial, a morte do hipertexto. O Youtube como a grande plataforma para o autodidatismo e cristalização ideológica. A aposta no narcisismo como modelo de negócio, os dramas psíquicos do ciberespaço, a renascença psicodélica e uma longa conversa sobre trips, bad trips e o paradigma psiquiátrico que antagoniza com a Era da Selfie.

As dicas da transmissão de hoje:

O MEIO É A MASSAGEM - Marshall McLuhan e Quentin Fiore
O clássico resumo da uma das mais influentes análises sobre a expansão da mídia eletrônica, das tecnologias de comunicação e suas consequências para a identidade e vida pública dos seres humanos. Um trabalho teórico e gráfico que ganha um sentido mais amplo e provocador na era da hiperconectividade das redes sociais. Edição recente da excelente editora Ubu.


GENERATION WEALTH - Lauren Greenfield
Primeiro o livro, um tratado fotográfico e jornalístico sobre os 30 anos da ascensão da cultura do luxo, da ostentação e da simulação de riqueza. A partir de Los Angeles, Lauren viajou o mundo todo registrando como a "geração riqueza” expressa perfeitamente através da estética uma crise que é, antes de tudo, ética. Depois, o filme. Um documentário lançado ano passado pela Amazon.


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BOLETIM DO FIM DO MUNDO - A ERA DO PERFIL E A CAMPANHA SEM FIM DE TRUMP E BOLSONARO

Transmissão ao vivo do dia 8/11/2018.

Má notícia: a campanha não acabou. E pode não acabar.

Como a hiperconectividade, a guerra com a imprensa e o protagonismo dos perfis digitais conectam Trump e Bolsonaro em uma nova realidade política: a da campanha eleitoral permanente. Os limites e o risco da ideia da Resistência.


E descontos especiais da Editora Boitempo para os espectadores do Boletim do Fim do Mundo.

E dicas de livros e filmes.

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Boletim do Fim do Mundo - O destino do Brasil nas eleições americanas e a oposição planetária

Transmissão do dia 5/11/18. Na véspera das eleições legislativas dos EUA, uma conversa sobre suas implicações para o governo Bolsonaro. A reversão do papel geoplítico brasileiro. A ilusão de potência de Bolsonaro no cenário internacional. Os riscos e limites do alinhamento com os EUA. E as novas fronteiras para o progressismo, a política de identidade e seu backlash

E as dicas de livros e filmes. Nesse episódio: Consenso Fabricado de Noam Chomsky, O Fim do Homem Soviético de Svetlana Aleksiévitch, A Conquista Social da Terra de Edward O. Wilson e O Conformista de Bernardo Bertolucci.

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Boletim do Fim do Mundo - Super Moro e a fusão das crises da Justiça e da Segurança Pública

Transmissão ao vivo realizada em 1/11/2018. Na primeira decisão de alto impacto do presidente eleito, Sérgio Moro foi indicado para a superpasta da Justiça e Segurança Pública. Uma conversa sobre o abismo que se amplia entre os apoiadores e críticos da Liva-Jato, as contradições políticas entre Bolsonaro e o juiz de Curitiba e como a fusão da Justiça com a administração das polícias mllitares devem ampliar a disfuncionalidade da Segurança Pública nacional.


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Boletim do Fim do Mundo - Imprensa, desinformação e o day after de Bolsonaro

Transmissão ao vivo realizada em 30/10/2018, dois dias após a eleição de Jair Bolsonaro. Após mais de uma dezena de transmissões durante o período eleitoral, a estréia da nova série do Estúdio Fluxo, "Boletim do Fim do Mundo".
Em seu primeiro dia como presidente eleito, Jair Bolsonaro ataca a Folha de S. Paulo e aponta o jornal e parte da imprensa como adversários. Uma campanha por assinaturas do jornal toma as redes.
Uma conversa sobre a importância de defender e manter a crítica à imprensa. A distinção entre a instituição e a empresa de mídia. A autocrítica que a imprensa sempre cobra, mas raramente faz. Porque a imprensa emergente digital ainda não consegue substituir as grandes redações. A importância de gastar mais dinheiro com a imprensa e consumir menos notícia.

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Playlist da semana: dissolvendo o ego com responsabilidade

HAVE A HOLY TRIP

Toda semana o Fluxo vai compartilhar uma playlist testadas e aprovadas, feita com muito esmero para situações bastante específicas.

Para a estréia, aqui uma lista estabelecida em 2008, quando o iPod era de discar, e muito bem sucedida para incursões psicodélicas introspectivas. 

Recomendamos foco, headphones e um pacote de kleenex.

FLUXO recomenda: Vazante, de Daniela Thomas

Quero muito recomendar o filme Vazante, da Daniela Thomas. E vale correr para assistir no cinema. Duvido que fique em cartaz por muito mais tempo. Já que em uma quinta à noite, na única sala de exibição do filme na cidade de São Paulo, estávamos Susana e eu. Mais ninguém.

Daniela foi capaz de tocar, com firmeza e sensibilidade, em traumas sempre tão reprimidos no Brasil - e que hoje estão à flor da pele: o papel do estupro à mulher e à natureza em nossa formação. A escravidão e o ar insuportável que a transformou, até hoje, em normaliade histórica. E uma pervasiva depressão que, embora jamais iguale, abraça senhores, escravos e sinhás. Uma depressão cármica, ruído branco em nossa história. Em nosso presente. 

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A própria natureza, única trilha do filme, é também palco e personagem. Filmada à perfeição. Era 1821. Mas há, na planta baixa, a mesma matriz econômica que hoje, melhor provida de finanças e mesóclises, segue escancarada no regime Temer. O que faz de Vazante um filme especialmente relevante, importante de ser visto e discutido.

Acompanhei por cima a polêmica criada em torno da obra - a esse ponto inescapável, me parece. Li alguns dos textos produzidos. Não me sinto equipado ou convicto o suficiente para discutir boa parte dos méritos e deméritos levantados. Mas digo que lamento a assertividade da condenação que o filme sofreu antes mesmo da estréia. Temo que tenha afastado algum público. Tanto que nos dias que se seguiram à quase deserta sessão, as pessoas mais dedicadas a debater o filme comigo e discordar da importância dele foram as que não viram a película. Uma pena. 

Sobre a questão da falta de subjetividade, da brutalização na representação dos escravos, me pareceu parte fundamental, justamente, da construção da dimensão humana dos personagens. São pouquíssimos diálogos, um tempo lento que se arrasta para consomir a autonomia, a individualidade, os desejos, as relações e a felicidade de todos. O filme trata, entre tantas outras coisas, também das próprias subjetividades esmagadas pela roda do engenho.

Saímos da sala, a sós, em silêncio. E pensando que, apesar de ter a sala toda para nós, o melhor seria vê-la escoar lotada ao final do filme.