O AVESSO DO AVESSO DO AVESSO

 A Virada em 2013

A Virada em 2013

 

2013, ANO DE VIRADA


 Quando a noite caiu no dia 18 de maio de 2013, o Colaboratório se apresentou ao público pela primeira vez. O grupo de artistas, arquitetos e gente da cidade interessados numa nova marola que se formou no centro, recebeu convidados no salão da recém aberta Balsa que ficava no 4º andar do prédio que, no final daquele ano, foi rebatizado como Farol.
 

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O grupo saiu daquele encontro para lançar um site (hoje desativado) e embarcar de carona na Virada Cultural para  iluminar os vários prédios abandonados da região central. Um dos prédios marcados pelo holofote do grupo foi um enorme prédio de vidro, propriedade da União, no Largo do Paissandu. A intenção era cutucar os passantes a repensar a ocupação - e a desocupação - urbana. Era o projeto do Colaboratório, o Conjunto Vazio. 

 
 
 


Estávamos no primeiro ano da curta era Haddaddiana. A cidade experimentou a maior e mais intensa Virada, cheia de boas atrações e arrastões da pesada. E foi encerrado com show dos Racionais na Estação da Luz. Haddad, o prefeito,  viu a apresentação no meio do público. Foi a volta dos Racionais à Virada depois da apresentação de 2007, sob a prefeitura Serra, quando a Polícia Militar interrompeu o show do grupo e agrediu dezenas de pessoas. 
 

 
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2017. A DESVIRADA

Uma linha do tempo de muita turbulência aconteceu desde aquele maio de 2013. A começar pelo mês seguinte, Junho. Muitos de nós passamos pelos anos Haddad abrindo na base da peixeira uma picada na mentalidade estreitíssima do povoado paulistano, até entrarmos no atropelado ano de 2017 com João Doria e sua primeira e única Virada. Esvaziada, com os shows principais jogados para longe do Centro, seu grande espetáculo foi uma violenta ação policial na Cracolândia, na manhã da Virada Cultural. Território que, nos anos Haddad e de Viradas abertas no centro, simbolizou uma possível versão mais humanista de cidade. Com o refluxo de Doria, nao deu.
 


2018 - A REVIRADA


 Hoje é dia de Virada Cultural. De volta ao centro e refeita de acordo com sua vocação original. É noite de cidade acesa, de pelo menos passear pelas bordas, flanar pelas ruas abertas e musicais. 
 
Se em 2013 os holofotes nos Espaços Vazios ocuparam as fachadas dos tantos imóveis abandonados com o Colaboratório, 5 anos depois uma articulação do grupo 342 Amazônia vai aproveitar a maré da Virada para num ato contra a  PL do Veneno (PL 6299/02).  Em um Brasil que é líder absoluto de consumo de agrotóxicos com uso indiscriminado, durante a apresentação de Caetano Veloso com o Bloco Tarado ni Você. A concentração começa às 20 horas na escadaria da Praça Roosevelt com a Av. Consolação. 

 

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O Centro de São Paulo segue numa costura muito louca de miséria, terraços festivos, árvores decepadas, alta culinária, escombros, burrice, sujeira, beleza, tristeza. Esquizofrênico em sua ocupação, demarcado pelo mijo dos sem banheiros, velhas galerias, novo Sesc, o mesmo Anhangabaú desperdiçado de sempre. E agora, com um dos conjuntos vazios 2013, um grande prédio de vidro no Largo do Paissandu, desaparecido pelo fogo e abandono político.
 
Vai dar para ver Afrociberdelia com sol a pino. Vai dar para visitar a Ocupação da 9 de julho. Tentar entender o que é uma ocupação de dentro para fora. Dá para acabar seu domingo de maneira requebrando luxuosamente na ZS com Os Prettos + Samba da Vela recebendo Beth Carvalho. 
 
Uma confluência e tanto de acontecimentos, então hoje é noite te de rua. Quando São Paulo tem, mais uma vez, uma chance para se encarar frente a frente e ver o seu rosto.

 

Por Susana Jeha, no Instagram do Fluxo @estudiofluxo