Eleições 2014: Luciana Genro (PSOL)

"Nunca tivemos uma democracia real no Brasil. Até porque democracia nós só temos quando há democracia econômica"

Após a desistência de Randolfe Rodrigues como o cabeça da chapa do PSOL, no dia 22 de junho o partido oficializou o nome de Luciana Genro como sua candidata à presidência da república para as próximas eleições. 

Um desfecho que marcou uma rara unidade no partido que vive um conturbado período pré-eleitoral, em que duras disputas e diferenças internas do partido foram travadas em público.
O nome de Luciana  - que já ocupava a chapa como vice - foi aceito de forma unânime na conveção do partido. 

Luciana Genro começou sua trajetória política pelo Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul nos anos 1990. Foi deputada estadual e federal pelo. Filha de Tarso Genro, petista de longo currículo e atual governador do RS pelo Partido dos Trabalhadores, Luciana foi expulsa do PT em 2003, quando recusou-se a votar pela reforma da previdência proposta pelo governo federal no primeiro ano de Lula no planalto. 

Tornou-se uma das principais articuladoras e vozes de oposição. Uma oposição, como faz questão de frisar, à esquerda do PT. 

Hoje, aos 43 anos, Luciana tenta a presidência oferecendo propostas, plataformas e reformas no Estado que, para ela, representam muitas das demandas contidas no grande levante de junho de 2013. Que, segundo Luciana, "representa um descontentamento que vai além do governo. Ele é um questionamento ao sistema, às instituições que estão capturadas pelo poder econômico. E que se tornaram impermeáveis à vontade popular."

Ao mesmo tempo, reivindica para sua chapa e partido o papel da esquerda que, segundo ela, o PT traiu quando se tornou situação.

E ergue bandeiras que raramente são carregadas por candidatos ao executivo: desmilitarização da polícia, legalização da maconha e do aborto, regulação da mídia e uma reforma tributária que pese mais nos cofres do mais ricos do país.

Luciana visitou os estúdios do Fluxo no dia 24 de junho para 1:20 de entrevista. Gravada e publicada na íntegra, dividida em 5 partes. 

"Por trás da ascensão da direita, sempre tem uma esquerda que capitulou"

Na parte 1: JUNHO, DEMOCRACIA CAPTURADA E PT ROMPIDO
- Luciana discute o legado de junho no cenário político nacional;
- o vácuo deixado após da grande rejeição ao sistema instituído;
- a limitada expressão eleitoral dos partidos e do discurso de esquerda em cargos executivos;
- a distorção da democracia representativa diante do poder econômicos e dos financiadores da campanha;
- o desgaste e a fobia nacional à terminologia e às bandeiras clássicas da esquerda;
suas divergências e sua expulsão do PT;
- a cisão do PT que tornou-se o PSOL durante o governo Lula;
- governabilidade versus ideais;

"O que aconteceu em junho precisaria se repetir muitas vezes para que um governo do PSOL tivesse sucesso"

Na parte 2: REVOLUÇÃO VS EVOLUÇÃO, CONSTITUINTE, HORIZONTALIDADE E HORIZONTES ELEITORAIS
- Luciana fala sobre a viabilidade de uma ruptura com a lógica do capital fora de uma perspectiva revolucionária;
- o papel da mobilização social para profundamento da participação popular dentro da democracia institucional
- a proposta de uma nova constituinte por Dilma durante junho de 2013;
- a rejeição, a fobia à ideia de liderança e representantes dos novos movimentos políticos horizontais. E como isso pode representar avanços ou retrocessos na política;
- e emergência - e a não emergência - de novos nomes eleitorais;

"Talvez Randolfe não conseguisse expressar o pensamento médio do partido, que talvez seja mais à esquerda do que ele pensa"

Na parte 3: A CRISE PRÉ ELEITORAL DO PSOL, E QUEM, COMO E PORQUE PAGAM AS CAMPANHAS.
- Luciana fala sobre as crises internas pré-eleitorais no PSOL e o impacto no público;
- porque Randolfe Rodrigues não unia o partido;
- sua movimetação pró-Safatle após a fim de sua candidatura ao governo de SP;
- financiamento, financiadores e seus interesses nas campanha majoritárias;
- como financiar campanhas de esquerda que rejeitam os grandes doadores;
 

"O policial também é uma vítima de seus superiores"

Na parte 4: PT, PSDB, PSB, PM E SOS
- Luciana reflete sobre as diferenças entre um governo do PT, PSDB e PSB;
- a possiblidade de apoio do PSOL ao PT no segundo turno;
- a questão da desmilitarização, unificação e reforma das Polícias no Brasil. Sobre a PEC 51;
- a crise ambiental, a ameaça da sobrevivência das espécies e a passividade política diante do problema;
- a incompatibilidade entre Capitalismo e sustentabilidade do planeta;

 

"O PT ainda não confiável para a mídia, porque ainda sofre pressões populares. A elite prefere um represente diretos."

Na parte final: DROGAS, COPA, BLACK BLOC, MÍDIA E ELITE ANTI-PT
- Luciana fala sobre a Guerra às Drogas e direitos humanos;
- legalização da maconha e das demais drogas ilícitas;
- protestos na Copa, representatividade social das manifestações, MTST vs Não Vai Ter Copa;
- o legado do Black Bloc, vandalismo e a repressão nas ruas;
- Mídia, regulação da mídia;
- porque o PT é tão atacado pela mídia;
- porque a elite ainda não confia no PT;

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Entrevista gravada dia 25/06/2014 nos Estúdios do Fluxo.
Câmeras de Carol Quintanilha, Fernanda Ligabue e Laura Escorel
Edição e apresentação: Bruno Torturra