CÓRTEX - MOBILIDADE, URBANISMO E A GRANDE REFORMA MENTAL. Um passeio com Helle Søholt

É sintomático - para não dizer patológico - que a ampliação da rede cicloviária em São Paulo tenha sido uma política controversa na gestão Haddad. Ao ponto das críticas e o repúdio às ciclovais tornarem-se cruciais para a derrota eleitoral do prefeito. 

"Aqui não é a Dinamarca", 
dizem alguns que não acreditam na viabilidade ou pertinência de ciclovias como alternativa real para a mobilidade em uma cidade disfuncional como São Paulo. Mas o fato é que a Dinamarca nem sempre foi, assim, uma Dinamarca...

Quem nos conta melhor essa história é Helle Søholt durante um passeio em Copenhague, em mais um episódio de Córtex. A arquiteta e urbanista remonta a história de como e porque, há 40 anos, a capital dinamarquesa passou por uma grande virada política - e venceu uma grande resistência civil - para que o carro perdesse seu protagonismo no planejamento viário. E porque mobilidade urbana não é apenas a circulação dos cidadãos. Mas uma forma de entender e incidir sobre a saúde, o meio-ambiente, o direito à cidade, o trabalho, a desigualdade e a própria felicidade humana. 

A CONVIDADA

Helle é fundadora e atual CEO do escritório Gehl de arquitetura. Sócia do professor Jan Gehl, Helle construiu com ele um portfolio de grandes projetos de reforma urbana em metrópoles que hoje são referências mundiais na transformação não apenas dos espaços públicos. Mas principalmente na forma e no processo pelo qual esses redesenhos são desenvolvidos. Envolvendo moradores, frequentadores, experiências piloto e uma absoluta prioridade do pedestre e da dimensão humana na concepção dos projetos.

Mas não convidamos Helle Søholt para um passeio apenas por conta de seu currículo. Nossa conversa começa pela conexão dela e de seu escritório com o centro de São Paulo e a tentativa - ainda no papel - de recriar o Vale do Anhangabaú. Helle foi a coordenadora do projeto que, durante 2 anos da gestão Haddad, buscou desenhar um novo projeto para o mais icônico - e mal resolvido - espaço de circulação de pedestres no centro de São Paulo. 

 

A CONVERSA

Em 40 minutos de conversa Helle descreve como uma crise energética e a escalada do preço de combustível abriu a chance para uma grande reforma urbana de Copenhague nos anos 70. Uma reforma se deu tanto na cidade quanto na mentalidade pública. 
Fala sobre o processo de elaboração do projeto do Anhangabaú e das dificuldades de transformar paradigmas políticos em uma cidade complexa e gigante como São Paulo.

A mobilidade como questão central na tranformação social e econômica de São Paulo. E, mais do que isso, como uma questão de liberdade de escolha e direito à cidade.

A retomada dos espaços públicos e as contradições da gentrificação das áreas centrais das cidades.

A bicicleta e a cidade como terreno de experimentação política e de saídas sustentáveis para a vida em sociedade.

 

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