Córtex - PCC, Crimes de Estado e a Politização do Crime. Com Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias


Camila Nunes Dias e Bruno Paes Manso no Parque da Juventude
Antiga Casa de Detenção


Autores do recém publicado “A Guerra - A ascenção do PCC e o mundo do crime no Brasil”, Camila e Bruno conversaram com o Fluxo em um passeio sem cortes pelo Museu Penitenciário de São Paulo e Parque da Juventude. Antigo complexo prisional do Estado onde, até 2002, funcionava a Cada de Detenção, mais conhecido como Carandiru.

 
A GENTE TENTA MOSTRAR NO LIVRO QUE FOI TODO ESSE DISCURSO DE GUERRA, ESSAS ESCOLHAS POLÍTICAS QUE NOS LEVARAM AO CENÁRIO EM QUE ESTAMOS HOJE
— CAMILA NUNES DIAS
MUITA GENTE ACHA QUE A VIOLÊNCIA DO ESTADO PRODUZIRIA OBEDIÊNCIA. MAS A GENTE PERCEBEU O CONTRÁRIO. A PUNIÇÃO EXCESSIVA PRODUZIU ORGANIZAÇÃO E UM DISCURSO ANTISSISTEMA SEDUTOR
— BRUNO PAES MANSO

os convidados


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Em anos de produção de pesquisas, entrevistas e reportagens sobre segurança pública, violência e o sistema carcerário, Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias se tornaram dois nomes fundamentais no debate sobre o crime no Brasil. Principalmente para porque não há dupla no Brasil que mais se dedicou a compreender o que é e o representa a maior organização criminal do país, o PCC.

Bruno é economista, jornalista e doutor em ciências políticas. Fez longa carreira como repórter do Estado de S. Paulo, onde se especializou na cobertura de segurança pública e desenvolveu uma profunda pesquisa sobre homicídios.

Camila é doutora em sociologia e professora da Universidade Federal do ABC. Com experiência como voluntária na Casa de Detenção no início da década passada, conduziu sua tese de doutorado e outros estudos acadêmicos em torno da formação, estrutura e ideologia do PCC.


a conversa


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Após a onda de rebeliões penitenciárias e a guerra entre facções prisionais no início de 2017, o trabalho de Camila e Bruno ganhou nova importância e interesse público. E tanto a cronologia quanto as dinâmicas entre política pública e o fortalecimento do PCC tornaram-se cruciais para a compreensão da crise e suas causas.

Em pouco mais de uma hora de conversa, eles remontam mais do que a história do PCC. Nos contam como a facção surge antes como uma movimento de autopreservação, só depois como empresa. Antes como ideologia, depois como força criminal expansionista. Antes como consequência de graves crimes de Estado, só depois como causa de uma das mais profundas crises de segurança pública. Antes como negligência pública, depois como desafio monumental ao Estado. E como a institucionalização da uma violentíssima ética criminal produziu um fenômeno que transcendeu a cadeia e, a partir dela, está reorganizando o mundo do crime do lado de fora.

A explosão da população carcerária e o fortalecimento da organização. Como a lógica policial do pós ditadura militar desenhou a demografia carcerária. A formação de uma nova identidade criminal. As causas e as possíveis saídas para o problema das superestruturas do crime no Brasil.


O TRAJETO


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Esse episódio de Córtex foi gravado em uma caminhada que partiu do Museu Penitenciário de São Paulo e cruzou o Parque da Juventude, onde até 2002 funcionava a Casa de Detenção, mais conhecido como Carandiru.
Palco do mais sangrento massacre de presos do país, quando 11 presos foram mortos dentro do Pavilhão 9 do complexo prisional, o Carandiru permanece como tanto como um símbolo como um trauma no Estado.
O massacre foi o episódio fundamental para a consolidação da ideologia antissistema e a fundação do PCC no ano seguinte. Em defesa da união dos presos, a facção prometia em seu documento fundador vingar o massacre e apontar o Estado de São Paulo como a força inimiga.

Na caminhada conhecemos o museu, entramos em uma réplica de uma cela solitária, passeamos pelo parque, pelas ruínas e muros do antigo presídio e terminamos diante dos últimos dois prédios que permanecem de pé da antiga Casa de Detenção, hoje duas escolas técnicas do Estado.


 
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Direção: Susana Jeha

Câmeras: Susana Jeha e Raull Santiago

Apresentação e edição: Bruno Torturra