Debate embola

Não foi exatamente morno o último debate da Globo. Não foi tão baixo. Muito menos emocionante. Nada, nada histórico.

Aécio bem cínico, bem fluente e firme. Jogou certo para sua platéia. E o mais importante: conecta com uma energia fundamental da eleição. A da treta. A da vontade de derrotar alguém.

Dilma estava instável na oratória. Normal. Mas teve bons momentos de sinceridade. Sólida quando levada paras as cordas e boa no contra golpe. Se saiu muito bem ao refutar a Veja. Neutralizou a bala de prata que era de chumbinho.

Cá pra nós? Acho que o debate não muda muito o cenário. Para quem está indeciso a essa altura do campeonato (vai entender...) arrisco sem convicção que Aécio pode ter se dado um pouco melhor. Um pouco.

E sigo achando que a grande mídia e as grandes campanhas controlam menos do que imaginam a maré eleitoral. Há novas demografias, mentalidades e humores muito mais instáveis do que as pesquisas conseguem medir pelo país.

Por isso não boto tanta fé nas pesquisas. Não porque acho que sejam desonestas. Mas anacrônicas.

Seja como for, destaco aqui o que, para mim, foram os piores momentos do debate.

- Aécio falando que para acabar com a corrupção a medida mais importante é tirar o PT do poder. Resposta cínica, desonesta e hipócrita. 

- Dilma e Aécio provando que não tem política nenhuma para aluguéis no país. Político algum, aliás, parece enfrentar o assunto.

- Aécio repetindo como de costume que "não devemos olhar no retrovisor da história". Dizendo não representar um partido, mas um anseio. Mensagem tétrica e despolitizante. Direita em seus piores trajes.

- Aécio passando a responsabilidade da crise da água de São Paulo para o governo federal! E alegando que o povo de SP sabe disso e por isso confirmou Alckmin no palácio. E eu com náusea preciso reconhecer o pior: o povo de SP confirmou mesmo. Toma.

- Dilma não soube colocar a questão nem rebater a resposta de Aécio sobre água. Na cabeça do leigo - e são tantos - ele se saiu melhor.

- Dilma falando para a Ellisabeth, a economista de 56 anos, que ela tinha que matricular no Pronatec para se recolocar profissionalmente. Flopou.

- Indecisos desorientados sobre segurança pública e drogas. Como sempre, depressão total nas respostas dos candidatos. Trabalho mais importante a partir de segunda será educar a turma - e quem ganhar o planalto - sobre algo básico no tema: não se impõe a paz na porrada. Menos gente na cadeia e drogas legalizadas significam menos violência e menos problemas com o consumo de drogas. Não vai ser fácil.

- Encerramento da Dilma. Decorado, frio e sem conexão emocional. Perdeu a chance.

E o pior dos piores: a ausência completa do debate ambiental, cultura, política internacional e modelo de desenvolvimento. Ausências, aliás, em toda campanha eleitoral.

E agora... bom, agora já foi.

Vem nimim, domingo!

E vê se não surta, Brasil.